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11 de janeiro de 2011

Sobre a Pequena Morte...

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GOZO I

Linho dos ombros ao tacto já tecido

Túnica branda cingida sobre as espáduas

Os rins despidos no fato já subido as tuas mãos abrindo a madrugada

Linho dos seios na roca dos sentidos a seda lenta sedenta na garganta

a lã da boca cardada no gemido

e nos joelhos a sede que os abranda

Linho das ancas bordado de torpor

a boca espessa o fuso da garganta

GOZO II

Desvia o mar a rota do calor e cede a areia ao peso desta rocha

Que ao corpo grosso do sol do meu corpo abro-lhe baixo a fenda de uma porta

e logo o ventre se curva e adormece

e logo as mãos se fecham e encaminham

e logo a boca rasga e entontece

nos meus flancos a faca e a frescura daquilo que se abre e desfalece enquanto tece o espasmo o seu disfarce

e uso do gozo a sua melhor parte

GOZO III

Põe meu amor teu preceito

teu pênis meu pão tão cedo de vestir e de enfeitar espasmos tomados por dentro

e guarnecer o deitar daquilo que vou gemendo

Meu amor por me habitares com jeito de teu invento

ou com raiva de gritares quando te monto e me fendo

GOZO IV

Que tenhas de mim o contorno incerto acertado nas linhas do teu corpo

os dentes nos lóbulos e no pescoço os lábios a língua a cobrirem os ombros

GOZO V

Vigilante a crueldade no meu ventre

A fenda atenta e voraz que devora o que é dormente

a febre que a boca empresta a vela que empurra o vento

a vara que fende a carne

a crueldade que entende o grito sobre o orgasmo que me prende e me desprende

GOZO VI

São de bronze os palácios do teu sangue

de cristal absorto ensimesmado

São de esperma os rubis que tens no corpo a crescerem-te no ventre ao acaso

São de vento - são de vidro são de vinho os líquidos silenciosos dos teus olhos

as rutilas esmeraldas que sozinhas ferem de verde aquilo que tu escolhes

São cintilantes grutas que germinam na obscura teia dos teus lábios

o hálito das mãos a língua - as veias

São de cúpulas crisálidas são de areia

São de brandas catedrais que desnorteiam

(São de cúpulas crisálidas são de areia)

na minha vulva o gosto dos teus espasmos

GOZO VII

São as tuas nádegas na curva dos meus dedos

as tuas pernas atentas e curvadas

O cravo - o crivo sabor da madrugada no manso odor do mar das tuas espáduas

E se soergo com as mãos as tuas coxas e acerto o corpo no calor das vagas

logo me vergas

e és tu então que tens os dedos agora em minha nádegas

GOZO VIII

Em cada canal a sua veia

o veio que intumesce no fundo da sua teia

Em cada vento o seu peixe no tempo que a água tenha

sedosa na sua sede viciosa em sua esteira

Da seda o tacto e o suco dos lábios à sua beira

como se fosse um beiral do corpo p'ra língua inteira

ou o lugar para guardar o punhal que se queira

Em cada punho o seu ócio

um cinzel de lisura

com a doçura do pranto da prata e bronze a secura

O travesseiro não apóia as pernas já afastadas mas ajusta as ancas dadas

Escalada que se empreende na pele das tuas nádegas

Em cada corpo há o tempo no gozo da sua adaga

Mas só no teu há o espasmo com que o teu pênis me alaga

GOZO IX

Ondula mansamente a tua língua de saliva tirando toda a roupa...

já breves vêm os dias dentro de noites já poucas.

Que resta do nosso gozo se parares de me beijar?

Oh meu amor... devagar... até que eu fique louca!

Depois... não vejas o mar afogado em minha boca!

GOZO X

São de alumínio os flancos e de feltro a língua

de felpa ou seda a abertura incerta que cede breve a umidade esguia presa no quente do interior da pedra

Ou musgo doce de haste sempre dura de onde pendem seus dois mansos frutos que a boca aflora e os dentes prendem a tatear-lhes o hálito e o suco

GOZO XI

Conduzes na saliva um candelabro aceso

um chicote de gozo nas palavras

E a seda do meu corpo já te cede neste odor de borco em que me abres

Sedenta e sequiosa vou sabendo a demorar o tempo que se espraia ao longo dos flancos que vou tendo

as tuas pernas vezes teu ventre

A tua língua vezes os teus dentes

na pressa veloz com que me rasgas

GOZO XII

São tuas as pálpebras dos meus dias

tal como a laranja do lago estagnado é a lua do lago ao meio dia quando o sol dos ombros está rasgado

São teus os cílios que as noites utilizam é tua a saliva dos meus braços

é teu o cacto que no ventre incerto debruça levar os seus orgasmos

Não tenho mais que te dizer das coisas que tudo o mais te faço eu deitada

Enquanto sentes que o teu corpo cresce por dentro do mundo na minha mão fechada

(Maria Teresa Horta)

11 de dezembro de 2010

Somos dois... Somos um!

O homem é a mais elevada das criaturas.
A mulher, o mais sublime dos ideais.
Deus fez para o homem um trono;

para a mulher fez um altar.
O trono exalta e o altar santifica.
O homem é o cérebro; a mulher, o coração.

O cérebro produz a luz; o coração produz amor.

A luz fecunda; o amor ressuscita.
O homem é o gênio; a mulher é o anjo.

O gênio é imensurável; o anjo é indefinível;
A aspiração do homem é a suprema glória;

a aspiração da mulher é a virtude extrema;

A glória promove a grandeza e a virtude, a divindade.
O homem tem a supremacia;

a mulher, a preferência.

A supremacia significa a força;

a preferência representa o direito.
O homem é forte pela razão;

a mulher, invencível pelas lágrimas.
A razão convence e as lágrimas comovem.
O homem é capaz de todos os heroísmos;

a mulher, de todos os martírios.

O heroísmo enobrece e o martírio purifica.
O homem pensa e a mulher sonha.

Pensar é ter uma larva no cérebro;

sonhar é ter na fronte uma auréola.
O homem é a águia que voa;

a mulher, o rouxinol que canta.

Voar é dominar o espaço e cantar é conquistar a alma.
Enfim, o homem está colocado onde termina a terra;

a mulher, onde começa o céu.
Victor Hugo

18 de outubro de 2010

Touch...

Masturbação

Eis o centro do corpo o nosso centro onde os dedos escorregam devagar e logo tornam onde nesse centro os dedos esfregam - correm e voltam sem cessar

e então são os meus já os teus dedos

e são meus dedos já a tua boca

que vai sorvendo os lábios dessa boca que manipulo - conduzo pensando em tua boca

Ardência funda planta em movimento que trepa e fende fundidas já no tempo calando o grito nos pulmões da tarde

E todo o corpo é esse movimento que trepa e fende fundidas já no tempo calando o grito nos pulmões da tarde

E todo o corpo é esse movimento em torno em volta no centro desses lábios

que a febre toma engrossa e vai cedendo a pouco e pouco nos dedos e na palma

(Maria Teresa Horta)

8 de março de 2009

Aço e flor

Quem nunca viu que a flor, a faca e a fera tanto fez como tanto faz, e a forte flor que a faca faz na fraca carne, um pouco menos, um pouco mais, quem nunca viu a ternura que vai no fio da lâmina samurai, esse, nunca vai ser capaz. P. Leminski

10 de janeiro de 2009

Simone de Beauvoir.

Ninguém nasce mulher : torna-se mulher.

Hilda Hist - Rainha careca

Deixo em homenagem a amiga que quase foi neta, uma das maravilhas da Hilda Hist. De cabeleira farta de rígidas ombreiras de elegante beca Ula era casta Porque de passarinha Era careca. À noite alisava O monte lisinho Co'a lupa procurava Um tênue fiozinho Que há tempos avistara. Ó céus! Exclamava. Por que me fizeram Tão farta de cabelos Tão careca nos meios? E chorava. Um dia... Passou pelo reino Um biscate peludo Vendendo venenos. (Uma gota aguda Pode ser remédio Pra uma passarinha De rainha.) Convocado ao palácio Ula fez com que entrasse No seu quarto. Não tema, cavalheiro, Disse-lhe a rainha Quero apenas pentelhos Pra minha passarinha. Ó Senhora! O biscate exclamou. É pra agora! E arrancou do próprio peito Os pêlos E com saliva de ósculos Colou-os Concomitantemente penetrando-lhe os meios. UI! UI! UI! gemeu Ula De felicidade Cabeluda ou não Rainha ou prostituta Hei de ficar contigo A vida toda! Evidente que aos poucos Despregou-se o tufo todo. Mas isso o que importa? Feliz, mui contentinha A Rainha Ula já não chora. Moral da estória: Se o problema é relevante, apela pro primeiro passante.

7 de dezembro de 2008

{Amar Yasmine}_DEXPEX, a AmadaAmar, é doce, é fera, é felina e é de uma sensibilidade ímpar. Dias atrás conversávamos, deu-me esse verso e sua emoção de presente ao declamar. Quando um verso lido, tira lágrimas de uma pessoa simplesmente pela beleza do seu contexto, tenho certeza de que ali, mora um grande coração. coração . . . . . . . . . . Copo de Água Nós vamos ensinar você o fervor. Nossos atos se prendem a nós, como ao fósforo sua luz. Nos consome é verdade, mas fazem nosso esplendor. E se nossa alma valeu alguma coisa é por ter ardido mais intensamente do que outras. Vamos ensinar a você o fervor. Uma existência patética. Não a tranqüilidade. Ser tranqüilo é ser trágico. Eu não almejo outro repouso que o sono da morte. Espero depois de ter exprimido nesta terra tudo que havia em mim. Satisfeito morrer completamente. Desesperado por fazer ainda mais. Nossa vida a de ter diante de nós como um copo de água gelada. O copo úmido nas mãos de quem tem febre e quer beber, e bebe tudo de uma vez. Sabendo que devia guardar, mas não podendo tirar dos lábios o copo delicioso. Tão fresca é a água e tão apaziguadora da sede. André Gide

24 de junho de 2008

Manuel Bandeira.

Teu corpo claro e perfeito Teu corpo claro e perfeito, – Teu corpo de maravilha, Quero possuí-lo no leito Estreito da redondilha... Teu corpo é tudo o que cheira... Rosa... flor de laranjeira... Teu corpo, branco e macio, É como um véu de noivado... Teu corpo é pomo doirado... Rosal queimado do estio, Desfalecido em perfume... Teu corpo é a brasa do lume... Teu corpo é chama e flameja Como à tarde os horizontes... É puro como nas fontes A água clara que serpeja, Quem em antigas se derrama... Volúpia da água e da chama... A todo o momento o vejo...Teu corpo... a única ilha No oceano do meu desejo... Teu corpo é tudo o que brilha, Teu corpo é tudo o que cheira... Rosa, flor de laranjeira...

23 de junho de 2008

Hildinha,

Araras versáteis. Prato de anêmonas. O efebo passou entre as meninas trêfegas. O rombudo bastão luzia na mornura das calças e do dia. Ela abriu as coxas de esmalte, louça e umedecida laca E vergastou a cona com minúsculo açoite. O moço ajoelhou-se esfuçando-lhe os meios E uma língua de agulha, de fogo, de molusco Empapou-se de mel nos refolhos robustos. Ela gritava um êxtase de gosmas e de lírios Quando no instante alguém Numa manobra ágil de jovem marinheiro Arrancou do efebo as luzidias calças Suspendeu-lhe o traseiro e aaaaaiiiii... E gozaram os três entre os pios dos pássaros Das araras versáteis e das meninas trêfegas.

a Hist ...

Aquele Outro não via minha muita amplidão Nada LHE bastava. Nem ígneas cantigas. E agora vã, te pareço soberba, magnífica E fodes como quem morre a última conquista E ardes como desejei arder de santidade. (E há luz na tua carne e tu palpitas.) Ah, por que me vejo vasta e inflexível Desejando um desejo vizinhante De uma Fome irada e obsessiva?

Objeto do amor

De tal ordem é e tão precioso o que devo dizer-lhes que não posso guardá-lo sem a sensação de um roubo: cu é lindo! Fazei o que puderdes com esta dádiva. Quanto a mim dou graças pelo que agora sei e, mais que perdôo, eu amo. Adélia Prado

O mundo é grande.

O mundo é grande e cabe nesta janela sobre o mar. O mar é grande e cabe na cama e no colchão de amar. O amor é grande e cabe no breve espaço de beijar Carlos Drummond de Andrade

29 de abril de 2008

Maiakosky -

No beijo das mãos.
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Na boca que me beija
No corpo dos meus próximos
que freme
A cor da minha república vermelha
deve estar sempre acesa
Eu não amo o amor de Paris
Cadelinhas de seda
que se enfeitem em vão
Antes digo
Tudo bem
aos cães raivosos da paixão
na estatura só vc me ombreia
Pois fique então
sombrancelha a sombrancelha
a meu lado
Não faça alarde
não faça como os cães da tarde
De qualquer modo um dia vou tomá-la
sozinha ou com a cidade de Paris.
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30 de março de 2008

Florbela Espanca

Muito a ver com a minha alma O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais, há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que nem eu mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade...sei lá de quê!

16 de fevereiro de 2008

Florbela Espanca - cemitérios.

Eu era infeliz na terra, Ninguém me compreendia, Quando a minha alma chorava Todos pensavam que eu ria...

7 de fevereiro de 2008

Sou imensa
em minha ilusão
Sou tantas...
Sou grandiosa
em meus sonhos
Quantas sou?
Não há limites
na imaginação
sou tantas
e quantas
barreiras transponho...
O coração,
meio vagabundo
às vezes sensato
dita os passos
incerto
sou no compasso
e me faz santa
mesmo sendo tantas
em uma só
me faz meretriz
no fogo da paixão
e como perfeita atriz,
sou uma eterna
pescadora
de emoção...

30 de janeiro de 2008

O amor é um sentimento sublime que supera os problemas e diferenças, resiste ao tempo e se fortalece com a distância. Difícil fugir, impossível esquecer!

18 de janeiro de 2008

Augusto dos Anjos - Versos Íntimos.

Vês! Ninguém assistiu ao formidável Enterro de tua última quimera. Somente a Ingratidão - esta pantera - Foi tua companheira inseparável! Acostuma-te à lama que te espera! O Homem, que, nesta terra miserável, Mora, entre feras, sente inevitável Necessidade de também ser fera. Toma um fósforo. Acende teu cigarro! O beijo, amigo, é a véspera do escarro, A mão que afaga é a mesma que apedreja. Se a alguém causa inda pena a tua chaga, Apedreja essa mão vil que te afaga, Escarra nessa boca que te beija!

17 de janeiro de 2008

clarice lispector

"Minha alma tem o peso da luz. Tem o peso da música. Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita. Tem o peso de uma lembrança. Tem o peso de uma saudade. Tem o peso de um olhar. Pesa como pesa uma ausência. E a lágrima que não se chorou. Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros."